No início de 2009, já sob o efeito do início da crise económica em que Portugal estava a entrar, o movimento do restaurante Academia dos Grelhados, em Carnide, quebrou bastante, sobretudo aos jantares de semana. Nessa altura, fechava um dia por semana, à 2ª feira, o que levava os clientes habituais a recorrer a outro concorrente da zona.

Tínhamos como ideia passar a não fechar dia nenhum e passar a equipa para um sistema de folgas rotativas, de forma a ter sempre a equipa toda ao fim de semana, por ser o momento de maior facturação, independentemente da altura do ano. Sabíamos que era uma decisão polémica e que possivelmente geraria descontentamento e até potenciaria a saída de algum elemento da equipa, o que não desejávamos.
Decidimos marcar uma reunião com todos e apresentar os números de facturação da empresa por mês (histórico de 2 anos); curva das refeições servidas e montante global de ordenados e despesas gerais e de matérias primas. Assim que concluída a apresentação, todos identificaram o problema - havia meses recentes, em época baixa, que a facturação não cobria as despesas.

Foi mencionado, que claramente, o nosso objectivo não era dispensar pessoas e que queríamos por tudo continuar a proporcionar-lhes a estabilidade e segurança que estavam habituados. Mas que algo tinha que ser modificado, dado que, com aquela tendência, acabaríamos por ter que optar por dispensar pessoas.

Perguntámos-lhes o que mudariam de forma a ultrapassar o problema. Houve várias sugestões ao nível da redução de despesas nos consumíveis, nas matérias primas e gastos gerais que agradecemos e lhes pedimos que se comprometessem a realizar, mas ninguém chegou à solução que se tinha idealizado.

Quando proposemos passar a não encerrar à segunda feira a apreensão foi geral. Mas continuámos a demonstrar que era a solução, dado que o valor de facturação de mais 4 a 5 dias por mês, mesmo que baixo por se tratar de um dia de semana, fazia toda a diferença.
Além disso, sugerimos que todos indicassem em que dia da semana gostariam de folgar e deixámos que fizessem a escala entre eles, que acabou por ser a definitiva, dado que lhes tinhamos dado as guidelines gerais para o fazerem.
Exemplo de guidelines dadas:
- Na cozinha não podia haver sobreposições de folgas, pois os que ficavam tinham que garantir as funções dos que estavam ausentes;
- ​Na sala, cada um teria que escolher um dia e quem ficasse dividia o trabalho, sendo que o fim de semana estava barrado a todos. 
 
Por outro lado, também nos comprometemos, a fechar 15 dias no período de verão e a fechar ao Domingo nos meses de Junho, Julho e Agosto (tipicamente os mais fortes e que faria muita diferença não trabalharm com a equipa toda durante a semana).

Fazê-los participar na decisão e criar objectivos de facturação fez toda a diferença para os meses seguintes, em que se conseguiu um acréscimo de facturação de 10% nos meses piores e cerca de 20% nos meses melhores, sendo que os custos se mantiveram estáveis.