Em 2011, aproveitando a imposição do governo de acabar com as facturas manuais e o envio dos ficheiros SAFT de facturação electronicamente, decidimos que a informatização dos serviços não podia ser mais adiada, embora com a oposição de alguns sócios em realizar esse investimento.
Até então trabalhava-se com caixas registadoras manuais em que a informação obtida das vendas realizadas se limitava ao nº de transacções efectuadas e valor no negócio realizado no dia, o que para efeitos de gestão, nada servia.

Tanto se realizava uma transacção de 0,5€ como outra de 50€, pelo que nem as médias funcionavam para definir objectivos.

Havia também vários problemas associados: cada um podia facturar o que quisesse, uma vez que todos os funcionários registavam os seus serviços e os recebiam, registando-se o valor do total a receber, sendo o calculo feito de cabeça (potencial fuga de valores, benefícios aos amigos e erro de cálculos);

Havia também, a realidade de cada um pensar que estava a dar o preço correcto de produto, mas na realidade estavam a ser práticados 3 preços para o mesmo artigo. Na mudança de preços da tabela, era caótico, pelo que se alterava rara vez, para não se perder mais, assumindo as diferenças.
O não registo era facilitado, originado a fuga de facturação.

Os pedidos à cozinha e copa eram feitos a viva voz, podendo imaginar-se o que era aquela casa em períodos de pico de actividade, com 10 empregados de balcão e mesas a gritar para obter o serviço! Uma perfeita loucura!
Estudámos a oferta no mercado e decidimos implementar um sistema de registo por touch screen, com o registo em cartões e o pagamento centralizado num único posto. Os pedidos eram registados, as impressoras da cozinha e copa imprimiam os pedidos com a indicação dos produtos, observações e funcionário que solicitou o pedido.
Com este sistema podíamos criar todos os produtos de balcão, criar as duas áreas de serviço de mesas e refeições e os pratos ou menus a servir. Cada funcionário trabalhava com sessão própria e tinha até a funcionalidade de controlo de assiduidade e pontualidade, através do relógio de ponto de abertura e encerramento de sessão.

Preparámos todo o programa de forma exaustiva e antes do programa entrar em funcionamento, dois dos funcionários mais antigos pediram a demissão. Motivo apresentado - não conseguem aprender a trabalhar com computadores e não querem continuar com esse sistema. Ficámos com a clara certeza que aqueles dois eram os que mais "beneficiavam" com as caixas registadoras!

Todos receberam formação sobre o sistema e aproveitámos e criámos na altura um código de conduta e manual de procedimentos com todos os passos que tinham que ser dados e a forma como o serviço passaria a ser prestado, sem gritos, sem pedidos orais, sem registos escritos manualmente em papel.
Durante uma semana todos os dias os funcionários investiam cerca de meia hora a fazer registos fictícios num computador ligado numa empresa teste, mas com os menus e os  produtos exactamente como tinhamos criado. Achámos que tudo estava afinado e começámos a funcionar numa segunda-feira. Foi uma segunda feira de loucos, das mais confusas que se viveu na casa.

Não tinhamos testado as impressoras na cozinha e os pedidos saiam sem qualquer indicação de área de trabalho, apenas com o nome do funcionário, só que os funcionários rodavam pelas áreas de trabalho (balcão e duas salas) conforme folgas e turnos.

Além disso, os funcionários não conseguiam registar com a mesma velocidade com que o faziam anteriormente aos gritos, havendo muitos clientes que se levantavam para ir ajudar o funcionário! Para piorar a situação, o que antes era dividido por 10 a receber, passou a ser canalizado para um único posto, provocando filas enormes e um stress descomunal! Os clientes gritavam que iam embora sem pagar porque não tinham tempo para estar na fila, os funcionários desesperavam porque não encontravam os produtos, as funcionárias da copa e da cozinha gritavam pelo nome do funcionário que tinha feito o pedido! Parecia uma casa de doidos! Só desejava que o dia acabasse e confesso que cheguei a pensar em voltar às registadoras, mas, visionaria, tinha vendido-as e já não se encontravam no estabelecimento.

Enfim, nada como um mau começo para criar mais desafio e vontade que as coisas resultem! Ao fim de uma semana, já estava tudo afinado e adaptado ao sistema. 
Os clientes estranhavam o silencio e até o barulho da loiça agora parecia desproporcional! Os cartões eram encarados com graça e nos picos do dia abriam-se duas caixas e recebia-se nas duas para não criar filas.


Passámos a saber exactamente o que se vendia, quanto vendiamos de cada produto, as preferências nas refeições e pudemos passar a controlar o desperdício e os "desaparecimentos" de produtos.
Conseguimos desta maneira melhorar a gestão de stocks, fazer um plano de produção mais ajustado e até aumentar a facturação, dado que agora era tudo registado, a preços correctos e nada saía sem estar registado antecipadamente.